Olá pessoal.

Oficializeii esse streaming em abril de 2007, um ano muito importante para a cultura mundial, aniversário de 40 anos de um dos movimentos contra-culturais mais revolucionários do século XX, o Psicodelismo, a base da minha programação.

Ao contrário de outros movimentos culturais, igualmente importantes, a Psicodelia foi mais abrangente, tendo influenciando do cinema à música, da moda à literatura e às artes plásticas. Foi um movimento intelectual de grandes proporções. Suas influências são perenes.

Pela primeira vez as pessoas "viam os sons" e músicas passaram a ser compostas para trazer essa sensação. Muito marcante a influência direta do LSD como combustível para as mentes e os instintos criadores dos artistas.

Com esse conceito em mente, convidei alguns colaboraderes, que selecionaram abaixo alguns entre inúmeros álbuns incríveis que surgiram naquele período, e que passaram dos 40 anos de idade.
Todos foram lançados entre 1967 e 1968 e marcaram época por suas singularidades. Esses álbuns vieram de um período lembrado como "contra-cultura", quando a humanidade criou uma nova identidade cultural, rompendo e questionando todos os paradigmas vigentes. Com liberdade para criar e desenvolver novas linguagens, músicos trouxeram uma nova onda de criatividade, apresentando trabalhos viscerais que deram toda a característica sonora do mais puro rock.

Claro que você conhece e gosta de outros trabalhos, mas essa é uma seleção feita com carinho e critério.
São álbuns fundamentais em qualquer discoteca básica de roqueiro de respeito. Foi esse o critério para essa série especial. E todos esses álbuns são apresentados na íntegra, dentro da série "Super40", para você conferir a obra da maneira como foi concebida.

Informe-se sobre datas e horários na Agenda do site ou pelos Informativos que os ouvintes cadastrados recebem semanalmente.

Boa diversão, boa informação. Aproveite.

Traffic – Mr Fantasy

Aqui o lance é originalidade. Não dá pra associar o Traffic com nenhuma outra banda em termos de sonoridade. A trupe de Steve Winwood e Dave Mason aliava formas sonoras das mais diversas sempre guiadas pelo senso de ousadia e genialidade. O disco é um mosaico muito rico de sonoridades, tanto do rock quanto de incursões pelas músicas dos países. Um jazzinho maluco em “Giving to you”, valsa indiana em “Uterry Simple”, folk europeu com pitadas de latinidade em “Dealer”, rhytm n’ blues na deliciosa faixa de abertura “Heaven is in your Mind” e a balada rock explodindo psicodelia “Dear Mr Fantasy”. Um álbum, que em sua síntese, condensa a repentina abertura cultural daquele período dos anos 60, e como isso foi assimilado por aquela geração. O paraíso está em nossas mentes!

Traffic – Mr Fantasy (junho 67)

A primeira versão desse disco nos Estados Unidos chamava-se ‘Heaven is in your mind’. A capa, continha apenas um foto com os três integrantes, desconsiderando Dave Mason na formação do grupo. O disco lançado na Inglaterra, ‘Mr Fantasy’, foi a versão mais conhecida. Não apenas o nome e a capa eram diferentes nas duas versões, mas algumas faixas e a ordem das músicas também.
O autor do visual de ‘Mr Fantasy’ foi o pintor e fotógrafo John Benton Harris. Conseguiu criar um clima de Fantasia com essa imagem de tom avermelhada e fantasmagórica, tendo os quatro integrantes da banda iluminados por algumas velas, os quais olham atentamente para um músico que toca no canto esquerdo da foto.

The Doors – Strange Days

Esse disco e o anterior homônimo dos Doors fizeram a fama da banda e esculpiram seu status de “cult”, que permanece quase intacto até hoje. A mesma genialidade encontrada lá está aqui, já com um pouquinho menos de fôlego, mas suficiente para preencher de psicodelia nossos ouvidos. É ótimo escutar uma banda no auge, mesmo que esse auge talvez não fosse percebido pela própria banda, embaraçada entre tantas polêmicas desde o começo de sua carreira. Clássicos absurdamente clássicos dos anos 60 – “Strange Days”, “People are Strange” e “When the Music is Over” já fariam valer uma audição mesmo que descuidada desse disco tão importante do movimento.

The Doors - Strange Days (outubro 67)

A capa de ‘Strange Days’ não poderia ser diferente: Pessoas não muito comuns (lembrando a faixa ‘People are Strange’) representam, visualmente o segundo disco do The Doors.
A imagem dessas pessoas foi um registro do fotógrafo Joel Brodsky, (o qual é conhecido também pela foto mais famosa de Jim Morrison (capa da coletânia ‘The best o The Doors’). Suas lentes também captaram artistas como Aretha Franklin, Buddy Guy, James Brown, Joan Baez, John Lee Hooker, entre outros).
A foto foi tirada na rua ‘Sniffen Court’, em Nova York, próximo ao Empire State. Na verdade, apenas os acrobatas são profissionais do circo. Os outros são atores ou conhecidos do fotógrafo que se passaram por figuras circences.
Os integrantes do The Doors e o nome do disco aparecem no pôster que está discretamente pregado na porta.

Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request

Como assim? Rolling Stones psicodélico? Pois é...difícil de acreditar. Não diria bem psicodélico, mas uma tentativa, uma tiração de sarro que tem lá seus bons momentos, afinal estamos tratando dos Rolling Stones, que não davam e nunca deram ponto sem nó. Mas o que é interessante notar é como esse lance de arte psicodélica, flower-power e LSD pegou todo mundo de assalto, ninguém queria ficar fora da brincadeira. É um disco ímpar na carreira da banda, e por isso, bastante malhado, o que considero de grande parte, uma injustiça. Dá pra perceber uma total inadaptação ao perigoso terreno em que a banda se metia, mas há momentos ótimos, como a ácida “Citadel”, a baladinha “2000 Rainbow”, a bela “She’s a Rainbow” e o freak-sound de “2000 Light Years from Home”. A comparação com “Sgt Pepper’s...” foi inevitável e bastante desagradável para a banda, que voltou às raízes no trabalho seguinte, Beggar’s Banquet.

The Rolling Stones - Their Satanic Majesties Request (dezembro 67)

Influenciados pela explosão de cores e sons que dominaram o ano de 67, os Stones quiseram fazer algo inovador, mostrando ser uma banda aberta a experimentações! Lançaram um disco muito diferente dos anteriores (talvez como resposta ao ‘Sgt. Pepper’s...’) sem poupar esforços...e dinheiro!
A primeira versão da capa de ‘Their Satanic Majesties Request’ (que pode ser considerada uma das capas mais caras da história do rock) tinha efeito tridimensional, o que era algo exclusivo para época (chegou até a ganhar um prêmio).
A foto dos integrantes, usando fantasias, tirada pelo fotógrafo Michael Cooper (que também participou da criação da capa do ‘Sgt Pepper’s’) podia ser vista de outras maneiras dependendo do ângulo de visualização.
Porém, devido ao insucesso do disco, ficou muito caro manter uma capa tão exótica. Optaram por definir uma imagem permanente. Mas nem por isso deixou de ser uma capa interessante!
Nem todos percebem isso, mas se olharem de perto, encontrarão nos cantos inferiores da foto o rosto dos quatro integrantes dos Beatles...

Procol Harum - Procol Harum

Poxa, difícil encontrar alguém ligado em música que não conheça “A whiter shade of pale”. A música, que saiu apenas na versão americana deste álbum, foi um sucesso mundial e tornou a banda conhecida. Não é para menos – a categoria destes músicos ingleses é indiscutível. A fórmula do “pop barroco” foi levada à suas últimas conseqüências neste trabalho e coberta com um requinte sonoro destoante de muitos dos trabalhos delirantes e experimentais que rolavam naquele instante todo cheio de devaneios musicais e novas buscas. A dobradinha piano-orgão, as incursões da música clássica e os melodiosos vocais de Gary Brooker desaguaram com clareza em algumas vertentes desenvolvidas no rock progressivo nos anos seguintes. Refinamento total.

Procol Harum - Procol Harum (fevereiro 68)

Uma garota ‘mais branca que a cor pálida’, assim diz a música mais escutada do álbum de estréia do Procol Harum. Tal comparação dirigida à moça motivou o artista e fotógrafo Ian Dickinson quando foi convidado para criar a capa.
Os cabelos da garota, que se destaca na paisagem noturna, misturam-se delicadamente às folhas das árvores, adquirindo a mesma textura. As flores brancas no canto direito ajudam a equilibrar a composição, deixando a mais suave, sem que pese apenas para a personagem.
Apesar de ser uma imagem em preto e branco, o artista mostra-se influenciado pelo estilo psicodélico que nascia ao aplicar curvas e muito movimento.
Todo o trabalho artístico do álbum foi feito por ele, desde a ilustração até o design da letra.

Iron Butterfly – Heavy

O vôo inicial da borboleta de ferro é mais uma daquelas delícias sessentistas adoçadas com o mais fino néctar psicodélico. Teclados, guitarra fuzz, vocais em coro e muita viagem sideral. O som da banda tem uma certa influência dos Beatles mas tem um lado bastante original e bem pesado quando comparado a seus pares nos 60’s. A densidade sonora das bases de teclado e a abordagem agressiva da guitarra de Rhino (futuro guitarrista do Captain Beyond) são a marca do som da banda, que por ora o aproximavam das bandas britânicas e por ora o distinguia completamente das outras bandas. Enfim, cada banda tinha seu universo particular e sua maneira de transmitir toda aquela efervescência de possibilidades. Músicas como “Fields of Sun” são atemporais e “Iron Butterfly Theme” é uma das melhores e mais características músicas do período.

Iron Butterfly – Heavy (fevereiro 68)

Para a criação da capa de ‘Heavy’, disco de lançamento do Iron Butterfly, foi preciso um trabalho de equipe:
O artista Armondo Busich ficou por conta da bela ilustração noturna, a qual apresenta um planeta perdido, com algumas ruínas e outros planetas ao seu redor. Tal imagem espacial combina bem com o som viajante do grupo!
O logotipo da Borboleta de Ferro, que leva o nome da banda estampada em suas longas asas, com distorções características da época, também foi uma criação desse artista.
O fotógrafo Joe Ravetz tratou de registrar um momento dos integrantes do grupo com seus respectivos instrumentos.
Barry E. Eames, designer, uniu os trabalhos visuais citados inserindo no planeta criado a imagem da banda. Tudo foi orientado e aprovado pelo diretor de arte Geoff Gans!

Grateful Dead - Grateful Dead

A psicodelia começa no nome. E acaba só no último instante da bolacha. O Grateful Dead pegou o blues, o country, o rhytm n’ blues, enfim, a típica música norte-americana, vestiu-a com roupas coloridas, lhe ofereceu um LSD e a convidou para pôr o pé na estrada, sem rumo certo. Daí resultou a sonzeira deste disco – algo que nos remete a uma alegria de espírito, uma liberdade e uma leveza de ser harmonizada por deliciosos timbres de guitarra da dupla Weird & Garcia. A banda era figurona em qualquer evento que se prezasse da cena psicodélica californiana e tem grande importância histórica para o movimento, pela ousadia de distribuir LSD para o público, quando este ainda era inocentemente utilizado como ferramenta para a elevação espiritual. Abra um sorriso ao som de “The Golden Road” e respire fundo a psicodelia com “Cream Puff War”.

Grateful Dead - Grateful Dead (março 67)

Na terra da escuridão, o navio do sol é extraído pelos Mortos Gratos”.(?)
(Assim está escrito acima do nome da banda na capa deste disco).
Os criadores da imagem deste álbum foram grandes nomes do movimento psicodélico que florescia cada vez mais naquele período.
O design foi feito na ‘Mouse Studios’, de Stanley Mouse, o qual foi um grande parceiro da banda. Produziu vários pôsteres de divulgação de shows entre outras capas de disco.
Essa imagem esquisita é uma colagem, feita por Alton Kelley (também famoso por seus lindos trabalhos coloridos para pôsteres), o qual utilizou fotografias tiradas por Herb Greene e Gene Anthony (dois artistas que também utilizavam os pôsteres para divulgação de suas artes).
Grateful Dead foi um dos grupos que muito contribuíram para o crescimento do estilo visual de 67.

Deep Purple - The Book of Talyesin

Segundo álbum da banda, ainda em sua primeira formação. A experiência psicodélica do Deep Purple é bem interessante, com uma proposta totalmente adequada ao patamar sonoro da época. As versões para músicas já famosas ainda dão a tônica do trabalho, tal qual no trabalho anterior. Jon Lord comanda o som da banda com seu Hammond, em face de um ainda discreto Ritchie Blackmore, cuja técnica ainda se aprimoraria nos anos seguintes. A competência da banda é vísivel desde esse início - vocais sob medida de Rod Evans, a bateria nervosa de Ian Paice e um entrosamento de banda ótimo. "Wring that Neck" é uma sensacional jam-session, que em apresentações posteriores da banda tomaria proporções descontroladas, de 30 minutos ou mais. Coisas do rock n' roll.

Deep Purple - The Book of Taliesyn (outubro 68)

Este pode não ser o melhor disco do Deep Purple, mas é o que contém uma das capas mais interessantes!
O responsável pela produção visual do álbum foi o diretor de arte Les Weisbrich. Ele convidou um outro artista britânico, John Vernon Lord, para ilustrar a capa. O trabalho resultou nesta linda composição, cheia de cores, detalhes por todos os cantos e com diferentes elementos inspirados no estilo da arte medieval (uma vez que ‘The Book of Taliesyn’ também teve inspiração em um livro da Idade Média).
Tudo inserido em um universo surreal e de perspectiva confusa. Linhas que nos levam para diferentes pontos!

Big Brother and Holding Company – Cheap Trills

A psicodelia com a influência blueseira vindo a toda força. A interpretação transpirando sentimento de Mrs Janis Joplin dispensa comentários, mas a banda com a qual ela ficou realmente famosa é quase sempre esquecida. O Big Brother já tinha carreira antes de Janis e também possui trabalhos depois da debandada da moça. Seu som era trilha sonora obrigatória em trips ensolaradas por toda a costa-oeste. Eram irreverentes, divertidos e acima de tudo, psicodélicos até a última gota de fuzz que conseguiam extrair de seus amplificadores. Conseguiam também um clima denso ao fazer blues chorosos, conduzidos pela voz de Janis Joplin. O grupo tinha claras limitações técnicas, mas a vibração e energia que sua música nos transmite é tão transcedente quanto os acordes exatos de qualquer outro grupo psicodélico do momento.

Big Brother & The Holding Company - Cheap Thrills (agosto 68)

O Clássico ‘Cheap Thrills’, além de ter feito história com seu ótimo conteúdo musical e por ter lançado Janis Joplin como vocalista da banda de São Francisco Big Brother & The Holding Company, também ficou marcado por possuir uma das capas mais bacanas e famosas!
Elaborada pelo grande cartunista Robert Crumb, ‘pai’ do polêmico ‘Fritz the Cat’, sua criação de 68 é hoje um de seus trabalhos mais conhecidos.
Inspirado pelas músicas e pelo visual do grupo, o artista ilustrou as faixas do disco, tendo os próprios integrantes como personagens, em uma divertida história em quadrinhos.
(Inicialmente, o verso da capa, que contém a foto de Janis Joplin, seria a frente. Felizmente optaram pelo contrário!).

Beatles – Sgt Pepper’s Lonely Hearts Club Band

Não…não me acho capaz de acrescentar algum comentário relevante a um discos mais comentados de toda a história do rock. Ele é simplesmente um marco. Talvez, me sinta confortável a dizer algo sobre ele, ignorando toda a relevância e influência do trabalho dos Beatles na música jovem mundial. Encontra-se aqui a banda adentrando de vez no liberal terreno da psicodelia, atingindo um nível de musicalidade ímpar, criando músicas altamente assimiláveis, belas e cativantes, ao mesmo tempo experimentais e densas. O alcance que as melodias e arranjos do disco possuem é algo quase enigmático, porque é um trabalho de alto e constante nível, para não se estender muitos nos adjetivos. Recomendo doses cavalares desse disco todos os dias.

Sgt. Peppers’s lonely hearts club band – Beatles (junho 67)

Como se não bastasse a maravilhosa qualidade musical do disco, a capa também é uma linda criação! Se fosse analisar cada minúcia, teria que escrever mais de cinco laudas sobre. A cada vez que olho, encontro algo que não havia reparado antes. É uma imagem rica em detalhes, cores, texturas, cheia de elementos exóticos, instrumentos, objetos e celebridades apresentados como escultura ou fotografia.
Paul McCartney teve a idéia inicial. Convidou seu amigo e diretor de arte Robert Fraser para dar umas dicas. Ele aconselhou convidar o artista Peter Blake, o qual fazia sucesso com o movimento ‘Pop art’. Com sua mulher, Jann Haworth, eles elaboraram o design da capa, baseados nas idéias de Paul e Fraser. O estilista Manuel Cuevas ficou responsável pelos uniformes, que também são cheios de detalhes. O fotógrafo Michael Cooper foi quem deu os ‘clics’ finais. Em 68 ganharam um Grammy por melhor capa...bom, era de se esperar. Um belo trabalho e uma super produção!
Cansados de ser ‘Beatles’, os quatro rapazes decidem criar uma banda de mentira, a ‘Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band’. Assim poderiam criar um álbum a partir do ponto de vista dessa nova banda. Na foto da capa, a banda toca para uma audiência imaginária formada por alguns de seus ídolos, que estão em um grande painel feito de colagens de fotografia. Na contra-capa, foto do grupo e as letras de todas as músicas pela primeira vez aparecem em um disco dos Beatles. No encarte, inicialmente teria o desenho feito por um grupo de artistas da Alemanha, o ‘The Fool’. Mas Robert Fraser achou que não combinaria com a capa e contra-capa. Achou que o ideal fosse uma série de fotos da Sgt.Pepper’s..
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Cream – Disraeli Gears

Não só as bandas transformaram a época. A época também transformou as bandas, numa metamorfose mútua. O Cream foi uma das bandas que não passou imune ao ar psicodélico que se respirava em 67. Abriram espaço para mais experimentação, deixando um pouco de lado a estigma de jam-session que os caracterizava ao vivo e investindo mais nas composições. A flâmula do blues, que era o chão para a virtuose e a liberdade musical do grupo, foi pintada de desenhos psicodélicos em cores berrantes. Esse disco contém um dos primeiros registros do uso do efeito wah-wah nas guitarras em sons como “Tales of Brave Ulysses” e “World of Pain”. Nas clássicas “Sunshine of Your Love” e “Strange Brew”, o mesmo blues que norteou o disco anterior (“Fresh Cream”) e nas demais, registros de um momento único na história do rock.

Cream - Disraeli Gears (novembro 67)

Antes do lançamento de ‘Disraeli Gears’, Eric Clapton conheceu, através de sua namorada Charlotte Martin, o artista, compositor e cineasta australiano Martin Sharp. Foi ele quem deu letra à melodia criada por Clapton em "Tales Of Brave Ulysses". Além disso, criou a psicodélica capa do segundo disco da banda. Fez uma colagem de várias fotografias do grupo, tiradas por Robert Whitaker (que era parceiro de Sharp na revista ‘Oz’), misturados com imagens variadas, desenhos e cores que caracterizam o som e o ano que foi lançado...

Jefferson Airplane – Surrealistic Pillow

Rock psicodélico é um termo extremamente abrangente e que abriga bandas que em príncipio, parecem muito distintas entre si. Na verdade, o contexto da época, a sonoridade e o senso inovador são os poucos elos de ligação entre elas. Jefferson Airplane é um dos grandes nomes do delicioso nicho de bandas da Costa Oeste norte-americana. O nome é uma homenagem ao blueseiro Blind Lemon Jefferson. Seu rock psicodélico está mais associado ao rock de raíz, com roupagem fuzz e temáticas viajantes. E que delícia de roupagem! Musical bastante inspirado, simples e belo, agressivo e harmonioso ao mesmo tempo, coisa típica do flower-power, a coexistência de tudo, do feio e do belo, do agradável e do atordoante.


Jefferson Airplane – Surrealistic Pillow (fevereiro 67)

Herb Greene, um dos grandes fotógrafos de São Francisco, que captou vários momentos do ‘Summer of Love’ de 67, registrou essa imagem usada na capa do disco ‘Surrealistic Pillow’ do psicodélico Jefferson Airplane. A imagem é bem simples: apresenta a banda, que estava deixando seus cabelos crescerem, o que estava tornando um hábito comum no meio musical e entre o grupo social que ‘nascia’ na década de 60, os hippies. A composição da foto também é bem comum. Não há um cenário, apenas nota-se alguns desenhos na parede, como os feitos pelos egípcios (que não está muito nítido nessa foto). Provavelmente, essa parede cheia de símbolos ficava no estúdio de Greene, porque o mesmo fundo pode ser visto em alguns retratos de Janis Joplin, também fotografada por ele.
O detalhe no banjo, com o nome do grupo e a caligrafia bordada, destacando o título do álbum, são elementos interessantes que ajudaram a enriquecer a capa.
A lente de Herb também captou grupos como Led Zeppelin, Jeff Beck, Santana, Grateful Dead, Joe cocker, Blue Cheer, entre outros...

Jimi Hendrix Experience – Are you Experienced?

Pequenos pedaços de vinil traziam grandes revoluções sonoras. Jimi veio de mala e cuia dos EUA para a Inglaterra, apadrinhado por Chass Chandler, e fez história. Elevou todo o seu talento em busca de novos sons, inventou, ousou, transformou e reciclou idéias para parir esse disco absurdamente clássico. Uma agressividade ainda pouco explorada pelas bandas contemporâneas de blues e rock aflora em petardos como “Fire”, “Foxy Lady” e “I Don’t Live Today”. Classe na execução e capricho no instrumental em “Wind Cries Mary” e “Hey Joe” também não eram praxe para o pessoal do rock ainda...e claro, toda a devoção ao blues que se sente nos solos de guitarra ao longo do disco. Ah sim, as letras...sim, as letras....profundas, poéticas e delirantes, abrindo ainda mais o terreno para a “intelectualização” do rock. Caberia uma página inteira para tratar desse disco e desse gênio chamado James Marshall Hendrix.

The Jimi Hendrix Experience - Are you Experienced? (maio 67)

Quase todos os discos possuem pequenas ou grandes variações nas capas na medida em que são lançados em lugares diferentes. Neste caso, a capa de ‘Are you Experienced (?)’ lançada nos EUA ficou mais conhecida. A foto, tirada com uma lente convexa, identificou bem o som cheio de distorções desse super álbum. As cores e o formato das letras, característicos do ano de 67, contribuíram pra que essa versão fosse a mais adotada. Ambas foram criações do fotógrafo e desenhista Karl Ferris (o qual também trabalhou produzindo pôsteres). O curioso é que, nas duas versões, o título do álbum aparece sem interrrogação. Além disso, a ordem das músicas no disco também são diferentes...

Love – Forever Changes

O lado mais ensolarado da psicodelia. O Love era encabeçado pelo guitarrista e vocalista Arthur Lee, recentemente falecido, que tinha como admiradores declarados o vocalista Robert Plant e Jimi Hendrix. A acústica dos violões é presença constante ao longo do disco, algumas belas passagens orquestrais e inserções de guitarra de muito bom gosto azeitam a máquina sonora. O álbum soa um pouco nostálgico para quem é simpático ou participou do movimento hippie de alguma forma. As canções são bastante cativantes e tendem a agradar até mesmo ouvidos relutantes ao rock, em faixas como “And More Again”, que vez ou outra aparece na programação de rádios “flash-back”. Um belo registro dos maravilhosos anos 60.

Love - Forever Changes (novembro 67)

A pintura da capa de ‘Forever Changes’ do Love, composta da união das cabeças coloridas e criativas dos cinco integrantes do grupo (que toma uma forma que se assemelha a de um continente ou de um coração) foi uma criação do artista plástico Bob Pepper. Robbie Haran foi o fotógrafo da contra-capa. William Harvey ficou por conta do simples design gráfico do disco ilustrando o bonito Forever Changes, considerado o melhor disco da banda.

Moody Blues – Days of Future Passed

O rock cresceu, criou barbas, deixou o cabelo crescer e passou a usar roupas coloridas e extravagantes em 1967. Passou para o status de arte, deixando de estar vinculado somente a garotos e garotas afim de curtir e sacudir o esqueleto sem demais pretensões. Esse disco é um reflexo disso, a começar pelo fato de ser um disco conceitual e um dos primeiros da história do rock. Sua abordagem filosófica sobre um dia completo na vida de uma pessoa e o acompanhamento de uma orquestra sinfônica em nada lembram o passado “beat” do Moody Blues. Os elaborados arranjos de orquestra entram em sintonia com as harmoniosas melodias da banda, que transmite um clima muito tranqüilizante e reflexivo ao ouvinte. Esse disco foi o precursor de várias vertentes do rock progressivo, sendo um dos pioneiros no uso da flauta e do mellotron dentro do rock.

Moody Blues - Days of future passed (dezembro 67)

Days of future passed’ do Moody Blues é um lindo disco conceitual que teve também uma das capas mais bonitas! Fechou o ano de 1967 muito bem. A pintura da capa foi feita por David Anstey. Uma imagem que pode ser admirada de vários ângulos e distâncias. É rica em cores e detalhes. Uma forma mistura-se com a outra formando outras figuras, de temática diversa. Um desenho muito bem elaborado, assim como a obra sonora...Vale a pena ver e ouvir!

Frank Zappa & Mothers of Invention – Absolutely Free

A proposta satírica e humorada de Frank Zappa e sua trupe é realmente difícil de compreender no campo musical. Musicalmente, em muitos trechos, esse disco quer dizer pouca coisa...soa mais como uma colagem de diversos estilos musicais. Porém, a sacada vai muito mais longe. Tudo era um pano de fundo para o teatro sonoro de Zappa, que tirava sarro de todo o “establishment” e também de quem estava tentando nadar contra a corrente. O talento de Zappa como guitarrista só iria ficar mais evidente alguns anos depois, em sua fase jazz-rock, quando passou a privilegiar o instrumental. Pra quem não conhece e tem interesse em conhecê-lo, recomendo estar de mente bem aberta para novas formas de músicas, tentando entender as letras e o contexto da época.

Frank Zappa & Mothers of Invention – Absolutely Free (junho 67)

Inicialmente, a capa do segundo álbum do Mothers of invention- ‘Absolutely Free’ teria um desenho feito por Zappa da janela de seu apartamento em Nova Iorque. Ele estava aflito com o lançamento do disco porque a gravadora proclamou que eles não poderiam gastar mais do que 700 dólares. Ele tinha medo de ultrapassar o orçamento.
Mas acabou que tudo deu certo e não tiveram que poupar para a criação da capa. As imagens foram feitas pela fotógrafa Alice Ochs (que também acompanhou com sua máquina Bob Dylan, Chuck Berry, Eric Clapton, ente outros). O design, montagem e tratamento final da imagem foram feitos por Ferenc Dobronyi, Cal Schenkel e o próprio Zappa. O líder do grupo é o único que aparece na foto. Abaixo dele, há uma colagem de retratos de pessoas, como se fossem seu público...

Velvet Underground & Nico

Um estranho no ninho das cores e dos delírios musicais da época. O Velvet fazia questão de trazer todo mundo de volta à realidade vil e crua do underground. Prostituição, drogas, violência, temas bizarros e non-sense são os pesados temas abordados em melodias cândidas ou em rocks pra lá de básicos e por vezes exageradamente barulhentos, sem o menor esmero. Ou seja, estavam indo na contramão de quase tudo o que acontecia. Especialmente por isso, surgiu o reconhecimento desse disco como um dos maiores trabalhos da época, apesar de não ser acompanhando nem de longe por sucesso comercial. Psicodélico sim, flower-power não...essa era a idéia. Clássicos indiscutíveis como “Sunday Morning” e “Heroin” merecem audição cuidadosa, independente de estarem ou não nadando contra a corrente.

Velvet Underground & Nico (março 67)

O pintor e cineasta Andy Warhol, figura importante para a ‘Pop Art’, foi o produtor do disco e autor de uma das capas mais famosas do mundo da música: o ‘disco da banana’(como é conhecida por muitos)! Foi elaborado usando uma imagem simples e comercial. A banana poderia ser descascada e, abaixo dela, era revelada uma banana rosa.
A proposta de Andy, não somente com este trabalho, mas também em outras de suas criações visuais, era a de levar sua arte para outros meios de comunicação. Questionava em suas obras o que era arte e o que era mercado, provocando sempre a pergunta sobre o conceito de o que é arte para a crítica e para o público.
A contra-capa gerou polêmica! Havia uma foto do grupo tocando com a projeção de um filme de Andy no fundo do palco, mostrando o rosto do ator Eric Emerson, que logo cobrou direitos autorais. A gravadora teve que recolher todos os discos na primeira semana de lançamento temendo o processo do ator. Dois meses depois ela voltou às lojas com um adesivo preto cobrindo a imagem de Emerson. Com o cd, a imagem voltou a ser exibida...